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    Encerram-se  amanhã, quinta-feira (7 de maio),  as inscrições para a terceira edição do Prêmio SIMEGO/UNIMED de Jornalismo, uma iniciativa do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO) e da UNIMED-Goiânia. O concurso tem como objetivo reconhecer e estimular o tema “Qualidade da Medicina Brasileira” na pauta dos veículos de comunicação de Goiás. Nesta edição  podem ser inscritos trabalhos em três categorias: Jornalismo Impresso, Radiojornalismo e Telejornalismo.

As inscrições deverão ser feitas na sede do SIMEGO, na Av. Anhanguera, nº 5.674, sala 1402, Edifício Palácio do Comércio, Centro – Goiânia (GO), das 9h às 17h, ou com o envio do material e ficha de inscrição pelos Correios.

Serão aceitas matérias publicadas entre 1º de janeiro de 2014 e 7 de maio de 2015, data de encerramento das inscrições. No caso de inscrições pelos Correios serão admitidos os trabalhos que chegarem à sede do SIMEGO até a data de encerramento das inscrições.


Cada profissional poderá concorrer com, no máximo, três trabalhos por categoria, sendo que as matérias de responsabilidade de equipes deverão ser apresentadas por meio de um representante oficial. No entanto, não há limite de inscrições por veículo.

As matérias deverão ser entregues em envelopes lacrados com a identificação “3º PRÊMIO SIMEGO/UNIMED de JORNALISMO” e o nome do concorrente.
      

Os prêmios serão no valor de R$ 3 mil para 1º lugar, R$ 2 mil para 2º lugar e R$ 1 mil para 3º lugar, troféu e diploma.

A divulgação do resultado do julgamento e a premiação ocorrerão no dia 15 de maio de 2015, às 20h, na Maison Florency, em Goiânia.

 

Confira o regulamento completo no site do SIMEGO www.simego.com.br.

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O CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DO AMAZONAS, o SINDICATO DOS MÉDICOS DO AMAZONAS e a ASSOCIAÇÃO MÉDICA AMAZONENSE vêm, em conjunto, repudiar as agressões injustas, infundadas e generalizadas sofridas pelos médicos e veiculadas em rádio local. A classe médica amazonense é reconhecida pelo cumprimento dos seus deveres, pelo cuidado que dedica à população e pelas centenas de vidas que salva diariamente, ainda quando não conta com adequadas condições de trabalho. Entendem os signatários, que o exercício de toda profissão deve ser pautado pela ética, pela verdade e pelo compromisso social. Alertamos ainda, que no exercício da medicina é fundamental uma relação de confiança e respeito mútuo entre médico e paciente. Assim sendo, atitudes como as acima são extremamente prejudiciais aos médicos e a sociedade.

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Será realizado nesta quinta e sexta-feira, 28 e 29/04, o VI Seminário Nacional Médico/Mídia, evento que tem como objetivo reunir médicos, jornalistas, estudantes de comunicação e de medicina, bem como gestores das duas áreas, estimulando o debate sobre comunicação e saúde.

A sexta edição do seminário, que é promovido pela Federação Nacional dos Médicos, acontece no Hotel Windsor Plaza Copacabana, Rio de Janeiro, e conta com a participação de renomados profissionais da área médica e da grande imprensa, bem como especialistas na área de tecnologia da informação.

Confira abaixo a programação do seminário

Dia 28/04 – quinta-feira 9h – Abertura – boas vindas do presidente da FENAM, Cid Carvalhaes, e do Secretário de Comunicação, Waldir Cardoso

Palestra de abertura 09h30min – “Quem não se comunica, se trumbica” – a importância da comunicação na saúde e no meio ambiente Palestrante: jornalista Vandrei Pereira, repórter de TV, apresentador de telejornais

10h45min – A relação médico/mídia – como o jornalista e o médico interpretam esse relacionamento?

Palestrante: Cid Carvalhaes, presidente da FENAM

Palestrante: jornalista Marion Monteiro, repórter de rádio e jornal e assessora de comunicação na área de saúde

12h30min às 14h – Intervalo

14h – A papel da Assessoria de Comunicação no sucesso de uma empresa e entidade – a importância da estrutura, da integração e dos investimentos no setor

Palestrante: jornalista Liseane Morosini – consultora em comunicação para o terceiro setor, doutoranda em Comunicação, Informação e Saúde pela Fiocruz/RJ

15h30min – coffee break 16h – Media training – o que é e qual é a importância do media training para dirigentes de entidades médicas (com simulação de entrevista)

Palestrante: jornalista Elza Gimenez, produtora de telejornais, instrutora de media traning e professora universitária

17h – A certificação de sites médicos na Internet – a importância da criação de um selo para que a mídia reconheça as informações qualificadas

Palestrante: Dr. Eduardo Santana – II vice-presidente da FENAM

Dia 29/04 – sexta-feira 8h30min – Saúde – mitos e verdades

Palestrantes: Dr. Florentino Araújo Cardoso Filho – diretor da Associação Médica Brasileira

Dr. Desiré Carlos Callegari – 1º secretário do Conselho Federal de Medicina

9h45min – A importância da qualidade da informação – transmitindo a informação de forma correta e eficaz. Como se fazer entender e que tipos de cuidados o entrevistado deve ter para que sua informação não seja interpretada de maneira errada?

Palestrante: jornalista Pâmela Oliveira, repórter da editoria de saúde do jornal O Dia

11h – Como transformar as entidades médicas em fontes confiáveis para a imprensa?

Palestrante: jornalista Marcelo Ahmed, produtor do Fantástico

12h15min às 13h30min – Intervalo

14h – A relação médico/paciente para a mídia

Palestrante: Dr. Adolfo Paraíso, médico, presidente do Sindicato dos Médicos do Maranhão

15h15min – Coffee break

15h45min – A mídia e as novas tecnologias – a importância do Twitter, Facebook, Orkut e outras mídias sociais no dia a dia do jornalista e do médico

Palestrante: professor Marcos Cavalcanti, doutor em Informática pela Université de Paris, professor da Universidade Federal do Rio (UFRJ)

O evento será apresentado pela jornalista e escritora Aparecida Torneros

Mais informações: Denise Teixeira – jornalista Assessora de Comunicação da FENAM (21)9144-3323

Fonte: FENAM 

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CBN-Manaus volta a praticar o anti-jornalismo

É preciso que o silêncio não seja a tônica de nosso comportamento. Mais uma vez a irresponsabilidade se apresenta travestida de notícia e o irresponsável de jornalista.

É preciso que haja uma reação dos médicos e das entidades médicas à altura dessa irresponsabilidade.

Vejam a seguir:

CBN Manaus: Vergonha para o jornalismo nacional

Por Bianca Abinader

“Para ser jornalista é preciso ter uma base cultural considerável e muita prática. Também é preciso muita ética. Há tantos maus jornalistas que quando não têm notícias, as inventam.” (Gabriel Garcia Márquez, jornalista e escritor).

Meu nome é Bianca Abinader, sou manauara, médica, tenho 29 anos, sou casada e mãe de duas filhas. Essa semana voltei a ser perseguida pela rádio CBN Manaus. Digo voltei, porque essa conduta deletéria é reincidente (para os que ainda não sabem do que se trata, sugiro este link e os demais por ele indicados).

Como eu ia dizendo, a perseguição torpe voltou. Anteontem, dia 27 de Setembro, estava no Distrito ao qual respondo como funcionária pública municipal, assinando minha freqüência, antes de seguir para o meu trabalho, quando me avisaram que tal rádio já estava falando novamente sobre mim no ar, inclusive com equipe de “reportagem” na unidade em que trabalho. Mais uma vez, mentiras, calúnias, deboches, o mesmo estilo do que foi covardemente veiculado do início do ano.

Fui procurar orientação com meus superiores, que me aconselharam a não conceder nenhuma entrevista, e simplesmente aguardar eles irem embora. Se procurassem a mim ou a meus funcionários, a orientação era para que se dirigissem à própria secretaria e assessoria de comunicação deles.

A CBN é uma rádio nacional, sua concessão aqui em Manaus foi entregue a Ronaldo Tiradentes, um homem sem limites e sem ética profissional. Durante a reportagem de segunda, enquanto conversava com um dos meus funcionários, Samara Souza, a repórter da rádio, demonstrava muito constrangimento e dizia que não gostaria de estar ali, que estava sendo obrigada e que sabia que se tratava de um assunto pessoal do dono da rádio. Tenho testemunhas pra provar isso. Portanto, estamos diante de uma rádio com concessão pública que utiliza seu espaço descaradamente para fins pessoais.

Estou há menos de um mês locada nessa unidade, voltando a trabalhar após minha licença-maternidade. Depois de entrevistar os cinco hipertensos/diabéticos que me aguardavam para consulta e receber opiniões positivas a respeito de meu atendimento (a maioria era retorno da primeira consulta comigo, no início do mês), tal reportagem incitou que reclamassem do horário de minha chegada. Sim, INCITOU! Pois às 9:30 eu ainda não havia chegado… como poderia se estava no Distrito buscando orientação de como proceder a essa perseguição?

Durante telefonema entre repórter e dono da rádio, em que tal radialista estava claramente descontrolado no contato com sua – visivelmente apreensiva – funcionária, meu pai, que estava na minha unidade por medo em relação à minha segurança, pediu para falar com seu mandante. Nessa hora, ouvindo meu pai, o Sr. Ronaldo Tiradentes fez contatos com ROCAM e, inventando que sua equipe estava sendo ameaçada fisicamente, três policiais apareceram lá, armados até os dentes. Foram parar em minha unidade para amedrontar e coibir todos que estavam presentes. Tenho testemunhas de que não houve ameaças nem agressão de nenhuma natureza à sua equipe de “jornalismo”.

Jornalismo opinativo? Não: FARSA! Impossível classificar isso como jornalismo. Seria um desrespeito com os profissionais que realmente trabalham na área decentemente.

Clima de terror instalado, hoje conversei com duas funcionárias – uma delas grávida, e ambas comentaram que estavam realmente assustadas com essa situação e com a falta de limites dessa rádio. Homens armados com o único objetivo de aterrorizar?! Reportagens diárias no mesmo local, mesmo não constatando nenhuma irregularidade?! Aonde isso vai parar?! Me sinto totalmente impotente em relação a isso, já que este mesmo veículo não teve o menor respeito e cometeu esse mesmo crime durante a minha própria gravidez.

Um dos pacientes aqui presentes, um senhor idoso, hipertenso, sentiu-se mal com a situação que aqui se criou. A equipe de reportagem inventando informações, em seguida a chegada dos policiais armados, tudo dentro de uma unidade de saúde, implantando um clima de horror onde as pessoas estavam apenas querendo trabalhar dignamente. Essa perseguição doentia já está prejudicando o trabalho de nossa equipe, o atendimento de nossos pacientes, e agora já ameaça a saúde de todos os envolvidos pela truculência das ações.

Vá perseguir aqueles que praticam ilegalidades e prejudicam o povo! Deixe os profissionais que querem trabalhar em paz! Pare de cometer esse crime!

Ontem, dia 28 de Setembro, foram lá novamente. Haviam prometido depoimentos de comunitários reclamando de mim. Não conseguindo, por não existirem, veicularam depoimentos de comunitários reclamando de outras unidades, sempre de maneira tendenciosa, querendo atribuir todas as falhas do sistema de saúde ao seu alvo de ataque atual: eu. Querendo me responsabilizar por erros médicos, irresponsabilidades com a vida humana e falta de ética de outros profissionais.

Eu, que nunca fui denunciada, nunca respondi por nenhum processo e de quem eles mesmos, da rádio, já receberem vários depoimentos elogiosos da população… que, por sinal, nunca vão ao ar. A eles não interessa se a pessoa está certa ou errada, interessa o que pode ser forjado para que o alvo seja prejudicado.

Até hoje aguardo provas sobre as acusações que tal rádio me fez. Já expliquei sobre a facilidade de se provar irregularidades quanto ao trabalho de um funcionário público e acessível, e já dei provas sobre a minha idoneidade. As acusações são feitas diariamente mas os fatos não são apresentados nunca. Que tipo de jornalismo é esse?!

Tantos problemas reais na saúde de nosso município e Estado: falta de material, de remédio, falta de estrutura das unidades de saúde, falta de preparo dos profissionais, erros médicos grotescos, profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos) despreparados, faltosos, desrespeitando a população, falta de especialistas, falta de respeito ao próximo em seu momento mais frágil: na doença. E este senhor utilizando sua rádio para perseguir uma médica que tem uma ficha profissional limpa e cumpre com suas obrigações por causa de motivos políticos/pessoais. Ao invés de denunciar problemas reais, fica aterrorizando quem está trabalhando dignamente, prejudicando uma equipe inteira, uma comunidade inteira. E ainda tem coragem de dizer que está apenas buscando o bem estar comum. Isso é vergonhoso!

Essa mesma rádio utiliza a marca nacional da CBN em uma carta a uma empresa privada de Manaus, pedindo a demissão de uma funcionária porque ela resolveu questionar a maneira que o dono da rádio utiliza palavras de baixo calão em seu blog institucional. Essa mesma rádio que processa blogueiros por comentários contrários em suas páginas pessoais, citando poucos exemplos.

Esse é o jornalismo da CBN Manaus! Esse jornalismo que envergonha aqueles que praticam com honra e qualidade a sua profissão. Que deveria servir de exemplo sobre o que não se pode fazer com um veículo de mídia profissional. O tipo de jornalismo que prejudica a imagem de uma maioria de jornalistas profissionais competentes e que trabalham diariamente enobrecendo a sua profissão.

A pergunta é: o que está faltando? O que leva uma pessoa completamente isenta de escrúpulos e princípios como Ronaldo Tiradentes, que mesmo diante da revolta e reprovação da grande maioria dos jornalistas e das todas as pessoas decentes que conhecem a história por trás da perseguição a mim, continuar a inventar queixas, criar fatos e editar situações numa tentativa desesperada de me destruir… do que mais ele seria capaz?

Venho recebendo comentários odiosos em meu blog, comentários que não aceito para a publicação, com ameaças e ofensas pessoais. Amigos que escrevem sobre o meu caso em seus blogs recebem os mesmo comentários, todos com a mesma identificação de usuário (IP). Não temo por emprego, por contatos, por influências ou por posições sociais. Se assim fosse, nem teria sequer me manifestado desde o princípio. Mas temo pela minha família, principalmente por minhas filhas. Por elas desistiria de lutar por esse câncer na imprensa local e nacional. Por elas abriria até mão da Justiça que tanto sonho um dia conseguir. Por elas faria qualquer coisa, como qualquer pai e mãe que ama seus filhos acima de tudo.

Agradeço a todos os que me apoiaram em todo esse processo e que, assim como eu, esperam que a ética, a honestidade e a cidadania supere esses percalços em nosso país. Apelo para a CBN nacional, que visando conservar seu nome e prestígio como veículo de informação sério, tome medidas cabíveis em relação a estes destemperos de seus representantes locais. Estão querendo arruinar a vida de uma profissional sem nenhuma prova ou fundamento, apenas porque o dono da rádio se acha no direito de prejudicar a quem quiser. E vou confiar na seriedade de tal organização pra acreditar que esse tipo de atitude seja desaprovada e as devidas providências sejam tomadas.

“A sociedade que aceita qualquer jornalismo não merece jornalismo melhor.” — Alberto Dines

Fonte: Blog de Dra. Bianca Abinader

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A LINGUAGEM DO PRECONCEITO

Virou moda dizer que “Lula não entende das coisas”. Ou “confundiu isso com
aquilo”. É a linguagem do preconceito, adotada até mesmo por jornalistas
ilustres e escritores consagrados

Por: Bernardo Kucinski

O sociólogo José Pastore diz que Lula confunde “choque de gestão” com contratação. É que para os conservadores “choque de gestão” é sinônimo de demissão (Foto: Elza Fiúza/ABr)

Um dia encontrei Lula, ainda no Instituto Cidadania, em São Paulo, empolgado com um livro de Câmara Cascudo sobre os hábitos alimentares dos nordestinos.
Lula saboreava cada prato mencionado, cada fruta, cada ingrediente.
Lembrei-me desse episódio ao ler a coluna recente do João Ubaldo Ribeiro,
“De caju em caju”, em que ele goza o presidente por falar do caju, “sem
conhecer bem o caju”. Dias antes, Lula havia feito um elogio apaixonado ao
caju, no lançamento do Projeto Caju, que procura valorizar o uso da fruta na
dieta do brasileiro.

“É uma pena que o presidente Lula não seja nordestino, portanto não conheça bem a farta presença sociocultural do caju naquela remota região do
país…”, escreveu João Ubaldo. Alegou que Lula não era nordestino porque
tinha vindo ainda pequeno para São Paulo. E em seguida esparramou citações sobre o caju, para mostrar sua própria erudição. Estou falando de João Ubaldo porque, além de escritor notável, ele já foi um grande jornalista.

Outro jornalista ilustre, o querido Mino Carta, escreveu que Lula “confunde”
parlamentarismo com presidencialismo. “Seria bom”, disse Mino, “que alguém se dispusesse a explicar ao nosso presidente que no parlamentarismo o partido vencedor das eleições assume a chefia do governo por meio de seu
líder…” Essa do Mino me fez lembrar outra ocasião, no Instituto Cidadania,
em que Lula defendeu o parlamentarismo.

Parlamentarista convicto, Lula diz que partidos são os instrumentos
principais de ação política numa democracia. Pelo mesmo motivo Lula é a
favor da lista partidária única e da tese de que o mandato pertence ao
partido. Em outubro de 2001, o Instituto Cidadania iniciou uma série de
seminários para o Projeto Reforma Política, aos quais Lula fazia questão de
assistir do começo ao fim. Desses seminários resultou um livro de 18
ensaios, Reforma Política e Cidadania, organizado por Maria Victória
Benevides e Fábio Kerche, prefaciado por Lula e editado pela Fundação Perseu Abramo.

Clichês e malandragem

Se pessoas com a formação de um Mino Carta ou João Ubaldo sucumbiram à
linguagem do preconceito, temos mais é que perdoar as dezenas de jornalistas de menos prestígio que também dizem o tempo todo que “Lula não sabe nada disso, nada daquilo”. Acabou virando o que em teoria do jornalismo chamamos de “clichê”. É muito mais fácil escrever usando um clichê porque ele sintetiza idéias com as quais o leitor já está familiarizado, de tanto que foi repetido. O clichê estabelece de imediato uma identidade entre o que o jornalista quer dizer e o desejo do leitor de compreender. Por isso, o clichê do preconceito “Lula não entende” realimenta o próprio preconceito.

Alguns jornalistas sabem que Lula não é nem um pouco ignorante, mas propagam essa tese por malandragem política. Nesse caso, pode-se dizer que é uma postura contrária à ética jornalística, mas não que seja preconceituosa.
Aproveitam qualquer exclamação ou uso de linguagem figurada de Lula para
dizer que ele é ignorante. “Por que Lula não se informa antes de falar?”,
escreveu Ricardo Noblat em seu blog, quando Lula disse que o caso da menina presa junto com homens no Pará “parecia coisa de ficção”. Quando Lula disse, até com originalidade, que ainda faltava à política externa brasileira achar “o ponto G”, William Waack escreveu: “Ficou claro que o presidente brasileiro não sabe o que é o ponto G”.

Outra expressão preconceituosa que pegou é “Lula confunde”. A tal ponto que jornalistas passam a usar essa expressão para fazer seus próprios jogos de palavras. “Lula confunde agitação com trabalho”, escreveu Lucia Hippolito.
Empregam o “confunde” para desqualificar uma posição programática do
presidente com a qual não concordam. “O presidente confunde choque de gestão com aumento de contratações”, diz o consultor José Pastore, fonte habitual da imprensa conservadora.

Confunde coisa alguma. Os neoliberais querem reduzir o tamanho do Estado, o presidente quer aumentar. Quer contratar mais médicos, professores, biólogos para o Ibama. É uma divergência programática. Carlos Alberto Sardenberg diz que Lula “confundiu” a Vale com uma estatal. “Trata-a como se fosse a Petrobras, empresa que segundo o presidente não pode pensar só em lucro, mas em, digamos, ajudar o Brasil.” Esse caso é curioso porque no parágrafo seguinte o próprio Sardenberg pode ser acusado de confundir as coisas, ao reclamar de a Petrobras contratar a construção de petroleiros no país,  apesar de custar mais. Aqui, também, Lula não fez confusão: o presidente acha que tanto a Vale quanto a Petrobras têm de atender interesses nacionais; Sardenberg acha que ambas devem pensar primeiro na remuneração dos acionistas.

Filosofia da ignorância
A linguagem do preconceito contra Lula sofisticou-se a tal ponto que
adquiriu novas dimensões, entre elas a de que Lula teria até problemas de
aprendizagem ou de compreensão da realidade. Ora, justamente por ter tido
pouca educação formal, Lula só chegou aonde chegou por captar rapidamente
novos conhecimentos, além de ter memória de elefante e intuição. Mas, na
linguagem do preconceito, “Lula já não consegue mais encadear frases com
alguma conseqüência lógica”, como escreveu Paulo Ghiraldelli, apresentado
como filósofo na página de comentários importantes do Estadão. Ou, como
escreveu Rolf Kunz, jornalista especializado em economia e também professor de filosofia: “Lula não se conforma com o fato de, mesmo sendo presidente, não entender o que ocorre à sua volta”.

Como nasceu a linguagem do preconceito? As investidas vêm de longe. Mas o
predomínio dessa linguagem na crônica política só se deu depois de Lula ter
sido eleito presidente, e a partir de falas de políticos do PSDB e dos que
hoje se autodenominam Democratas. “O presidente Lula não sabe o que é pacto federativo”, disse Serra, no ano passado. E continuam a falar: “O presidente Lula não sabe distinguir a ordem das prioridades”, escreveu Gilberto de Mello. “O presidente Lula em cinco anos não aprendeu lições básicas de gestão”, escreveu Everardo Maciel na Gazeta Mercantil.

A tese de que Lula “confunde” presidencialismo com parlamentarismo foi
enunciada primeiro por Rodrigo Maia, logo depois por César Maia, e só então
repetida pelos jornalistas. Um deles, Daniel Piza, dias depois dessas falas,
escreveu que “só mesmo Lula, que não sabe a diferença entre presidencialismo e parlamentarismo, pode achar que um governante ter a aprovação da maioria é o mesmo que ser uma democracia no seu sentido exato”.

Preconceito é juízo de valor que se faz sem conhecer os fatos. Em geral é
fruto de uma generalização ou de um senso comum rebaixado. O preconceito
contra Lula tem pelo menos duas raízes: a visão de classe, de que todo
operário é ignorante, e a supervalorização do saber erudito, em detrimento
de outras formas de saber, tais como o saber popular ou o que advém da
experiência ou do exercício da liderança. Também não se aceita a
possibilidade de as pessoas transitarem por formas diferentes de saber.

A isso tudo se soma o outro preconceito, o de que Lula não trabalha. Todo
jornalista que cobre o Palácio do Planalto sabe que é mentira, que Lula
trabalha de 12 a 14 horas por dia, mas ele é descrito com freqüência por
jornalistas como uma pessoa indolente.

Não atino com o sentido dessa mentira, exceto se o objetivo é difamar uma
liderança operária, o que é, convenhamos, uma explicação pobre. Talvez as
elites, e com elas os jornalistas, não consigam aceitar que o presidente, ao
estudar um problema com seus ministros, esteja trabalhando, já que ele é ”
incapaz de entender” o tal problema. Ou achem que, ao representar o Estado
ou o país, esteja apenas passeando. Afinal, onde já se viu um operário, além
do mais ignorante, representar um país?

Fontes: João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo, 2/9/2007. Blog do Mino
Carta, 16/11/2007. Blog do William Waack, 2/12/2007. Texto de Lúcia Hipólito no UOL, 24/07/2007. José Pastore, artigo no Estadão, 11/12/2007. Carlos Alberto Sardenberg, “De bronca com o capital”, Estadão, 10/12/2007. Filósofo Paulo Ghiraldelli, Estadão, 29/8/2007. Rolf Kunz, “Lula, o viajante do palanque”, Estadão, 29/11/2007. José Serra, em Folha On Line, 1º/8/2006, em reportagem de Raimundo de Oliveira. Gilberto de Mello, escritor e membro do Instituto Brasileiro de Filosofia, no Estadão de 2/8/2007, reproduzido no site do PSDB. Everardo Maciel, na Gazeta Mercantil de 4/10/2007. Rodrigo Maia, em declaração à Rádio do Moreno, 6/11/2007, 17h20. César Maia em seu blog, 12/11/2007. E Daniel Pizza em texto do Estadão de 2/12/2007.

Bernardo Kucinski é professor titular do Departamento de Jornalismo e
Editoração da ECA/USP. Foi produtor e locutor no serviço brasileiro da BBC
de Londres e assistente de direção na televisão BBC. É autor de vários
livros sobre jornalismo

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