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Posts Tagged ‘Literatura’

 

 

Em redação científica formal, aconselha-se pesquisar os termos precisos em lugar de registrar termos inexatos, indicados por aspas. Exs.:

 

A operação de Lind difere da técnica de Nissen por deixar uma porção do esôfago livre do “abraço” (envolvimento pelo) do fundo gástrico.

 

Foi solicitada a TC nas crianças obesas, com dor abdominal sem anormalidades e ultrassonografia “normal” (com aspecto de normalidade ou sem anormalidades à ultrassonografia).

 

O complexo antígeno-anticorpo é “capturado” (retido) por microesferas de agarose.

 

Não configuram erros tais usos, pois são bem compreensíveis, sobretudo em linguagem coloquial, quando as aspas têm sido sinalizadas com os dedos. Mas o uso exagerado de aspas pode muitas vezes refletir a falta de vocabulário na redação, outro uso do “jeitinho brasileiro” para disfarçar o conhecimento do brasileiro cada vez menor do léxico (Andréa Neiva, “Jeitinho”. Língua Portuguesa. 2008;2(11):16).

 

Ademais, a linguagem culta ou acadêmica ou técnica em português é extremamente rica em recursos, de modo que será sempre possível aplicar os recursos de linguagem adequada ou precisa. O uso de expressões populares podem facilitar a compreensão de leitores menos afeitos à leitura. Mesmo assim, a linguagem culta dispõe de termos também de fácil entendimento.

 

Simônides Bacelar

 

Brasília, DF


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De ordinário, adjetivos e advérbios denotam opinião ou interpretação do redator, o que pode ser inadequado num relatório técnico, que deve conter números, medidas, dados.
Algumas adjetivações são anticientíficas por terem sentido de aliciamento dos leitores: resultados maravilhosos, tratamento espetacular, recuperação inigualável, resposta dramática, cura formidável.
Em outros casos, há sentido de ambiguidade: ferida cortante ou perfurante,hormônio estressante, abdome obstrutivo, paciente com história alérgica oupassado alérgico, hipótese diagnóstica (hipótese de diagnóstico), infraçãoética (infração antiética), disfunção erétil (disfunção da ereção), assédiomoral (assédio à moral), infração legal (infração ilegal).
Alguns cochilos podem produzir adjetivações risíveis: ingestão monetária poringestão de moeda, sintomas ansiosos por sintomas de ansiedade, tratamento agudo por tratamento imediato.
Ainda, a adjetivação pode ser prolixa ou redundante, como em evidência concreta, fato verdadeiro, certeza absoluta, surpresa inesperada.
Nos comunicados científicos, deve-se ter o cúmulo de expressividade com omínimo de palavras (Silva & Lopes, 1985). Na sequência, exemplos de diversos casos; entre parênteses, indica-se o melhor termo:
absolutamente perfeito (perfeito);
azul, quanto à cor (azul);
bastante claro ou óbvio (claro ou óbvio);
na forma cilíndrica (cilíndrico);
completamente envolvido (envolvido);
contemplar de frente (contemplar);
deliberadamente escolhido (escolhido);
de tamanho pequeno (pequeno);
perfeição absoluta ou absolutamente perfeito (perfeição, perfeito);
totalmente normal (normal);
enterocolite perfurada (enterocolite com perfuração intestinal);
não verdadeiro (falso);
negação categórica (negação);
pequeno ou grande, em tamanho (pequeno ou grande);
poucos, quanto ao número (poucos);
prova insofismável ou concludente (prova);
quase perfeito (imperfeito);
reabilitação fecal (do hábito intestinal);
realmente perigoso; (perigoso);
verdadeira investigação (investigação);
diagnóstico incidental (por lesão encontrada incidentalmente);
queixas ejaculatórias (sobre ejaculação);
queixas dolorosas (de dor),
queixas urinárias (de distúrbios urinários),
doente respiratório: testes de alergia em pacientes respiratórios (pacientes
com doenças do aparelho respiratório),
testes alérgicos (testes de alergia),
doença imune (imunopatia),
criança invaginada (com invaginação intestinal),
paciente destorcido (com torção do pedículo testicular desfeito),
miocardiopatia dilatada (com cardiomegalia ou com dilatação cardíaca),
síndromes convulsivas (quadros de convulsão),
paciente fissurado (paciente com fenda labial, fenda palatina ou fenda
labiopalatina),
cirurgia refrativa (cirurgia ou correção cirúrgica de distúrbios de
refração),
esfregaço inflamatório (aspecto inflamatório);
mentalidade hospitalar (no âmbito hospitalar);
paciente com urina fina (com jato urinário fino).
Paciente vomitou verde (teve vômito verde).
Outra forma de adjetivação desconcertada, por dar impressão de erro:
relatório de dores mensal (relatório mensal de dores),
banco de dados eletrônico (banco eletrônico de dados).
Muitas formas de adjetivações estão consagradas na linguagem médica e se tornaram fatos legítimos da língua, mas não poderia ser reprovável a buscado aperfeiçoamento.
Simônides Bacelar

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Somatória – somatório

Na frase “… a fístula uretral é decorrente de uma somatória de fatores”, há motivo de controvérsia de gênero. Recomenda-se usar somatório.

O VOLP (2009) traz somatória, como substantivo, e somatório como adjetivo e substantivo, nessa ordem. contudo, há autores e gramáticos que não admitem a primeira forma, somatória (Martins, manual de redação e estilo, 1997; Nicola & Terra, 1000 dúvidas de português, 1997; L. Sacconi, 1000 erros de português,1990, p. 207). O Houaiss (2009), o Aurélio (2009), o Aulete (1980), o Michaelis (1998) e outros bons dicionários dão apenas registro de somatório.

Esse nome pode ser substantivo ou adjetivo. Como adjetivo, significa relativo a soma, que envolve ou indica soma e concorda com o sujeito: linha somatória, estatísticas somatórias, fatores somatórios. O + é um sinal somatório. Como substantivo, muito usado em matemática, indica soma dos resultados de várias somas (símbolo: S).

Comumente representa numerosas ou mesmo infinitas somas. Por extensão, é usado como sinônimo de soma no sentido de conjunto constituído de ou totalidade: As complicações são o somatório das más condutas que foram adotadas.

Somatória por somatório é um fato da língua, o que legitima seu uso. No entanto, é recomendável usar formas não questionáveis em linguagem formal científica, técnica ou acadêmica. Nesse contexto, somatório configura-se como termo preferencial.

Simônides Bacelar

Serviço de Apoio Linguístico

Instituto de Letras

Univ. de Brasília, UnB

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Requisito

Upload feito originalmente por eduardossantana

Pré-requisito ou requisito?

É construção inadequada, ainda que seja muito usada na linguagem médica. A partícula pré é redundante, já que requisito significa condição para se alcançar determinado fim, ou seja, que se faz previamente. “Se requisito constitui exigência fundamental, não tem sentido falar em “prerrequisito” (N. Almeida, Dic. de questões vernáculas, 1996, p. 487). Pré-requisito ou prerrequisito é redundância (Silva D. Língua Viva. JB, 27.10.03).

Adicionalmente, o prefixo re- indica para trás, que é um quesito prévio, o que consta desde seu étimo latino requisitus, particípio de requirere, que procede de re, atrás, e quaere, buscar, fazer uma investigação (A. G. Ferreira, Dic. lat. port., 1996). É bastante dizer:

Estes exames são os requisitos necessários para a operação no paciente.

O termo de consentimento do paciente é um requisito para que este participe como sujeito em uma pesquisa.

São requisitos para obtenção do Certificado de Atuação na Área de Ecocardiografia Pediátrica, documento assinado pelo diretor do Laboratório de Ecocardiografia, comprovando treinamento em curso tipo C – nível III, ou realização de 1.200 exames ecocardiográficos completos. Ter Título de Especialista em Cardiologia ou Certificado de Atuação na Área de Cardiologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Citar “os pré-requisitos que foram feitos anteriormente” configura também redundância.

É errôneo escrever requesito ou requezito.

É corrente usar e entender requesito como um pedido ou o que se faz simultaneamente, e pré-requisito como o que se faz antes do requisito. Os dicionários registram requisito como condição ou exigência para atingir determinado fim e pré-requisito como condições prévias para se alcançar um objetivo. Ambas significam a mesma coisa, ou seja, condições que devem ser atendidas antes, para depois atingir um objetivo. Assim, pré-requisito vem a ser, em rigor, condição prévia à condição que deve ser atendida antes de se atingir um objetivo. É incongruente afirmar que requisito é condição simultânea, quando a própria palavra contém o prefixo re que significa antes.

Afirmar que os significados das palavras não podem se basear em sua etimologia, confronta-se com a realidade em que a maioria é a base das regras. Quase todos os termos da nossa língua têm significados principais com base em seu étimo e alguns desvios aparecem como exceções, como se comprova ao exame dos dicionários de latim e de grego nos quais, em geral, são encontrados os étimos da maioria de nossos termos, sobretudo termos médicos. Não configura atitude consensual formar uma regra com base nas exceções. Ocorre ser o inverso, e é assim a realidade.

Todas as formas existentes na linguagem são patrimônio do idioma, são fatos da língua e seu uso é legítimo. Contudo, em textos científicos formais, convém e usar termos com clareza e precisão, para que a obscuridade, a ambiguidade ou a generalização não causem más interpretações e levem o profissional a aplicações equivocadas, o que pode causar erros e riscos à saúde do paciente.

Simônides Bacelar

Brasília, DF

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Upload feito originalmente por eduardossantana

Auditoria.

Significa função do auditor, o que ouve, ou local onde exerce essa função. Do latim auditor, o que ouve, ouvinte; de audire ação de ouvir, audição (A. Ferreira, Dic. Lat.-Port., 1996).

Em Direito Antigo, indicava o funcionário instruído em leis cuja missão era informar a um tribunal ou repartição pública sobre a legalidade de certos atos ou sobre a interpretação das leisnos casos submetidos à sua apreciação.

Atualmente auditor designa também o perito de contabilidade com o cargo de exame e parecer sobre dados mercantis de uma instituição comercial sobre sua veracidade (De Plácido e Silva, Vocab. Jur., 2008).

Também a função do profissional contabilista em análise das contas e das aplicações das verbas por órgão públicos (M. C. Acquaviva, Dic. Jur…, 2004). O termo auditoria tem se expandido a outros setores como o de pessoal e o fiscal (P. Sandroni, Dic. de economia…, 2008) para designar análises detalhadas e sistemáticas de atividades desenvolvidas em instituições públicas ou privadas, especificadas a um auditor por seu contratante ou empregador para a consecução de um parecer técnico quanto à veracidade e à eficácia no desempenho dos eventos preestabelecidos. Processo de exame e validação de um sistema, atividade ou informação. (Houaiss, 2001).

Glossário

Auditoria. Atividade de um auditor ou perito de contabilidade com o cargo de exame e parecer sobre dados mercantis de uma instituição comercial sobre sua veracidade. Processo de exame e validação de um sistema, atividade ou informação. Análises detalhadas e sistemáticas de atividades desenvolvidas em instituições públicas ou privadas, especificadas a um auditor ou perito por seu contratante ou empregador para a consecução de um parecer técnico quanto à veracidade e à eficácia no desempenho de eventos preestabelecidos.

Simônides Bacelar

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