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Posts Tagged ‘Política de Recursos Humanos do SUS’

É um equívoco afirmar que faltam médicos no Brasil e que por isso o governo precisaria importar médicos para atender a população pobre que precisa do SUS. Somos aproximadamente 190.000.000 de habitantes, são cerca de 380.000 médicos no Brasli o que dá cerca de 1,7 médicos por 1000 habitantes. 200 faculdade de medicina entre escolas públicas e privadas. Esse número só é menor que a Índia que tem mais de 1 bilhão de habitantes. Formam cerca de 20 mil médicos no país por ano. Também é fato que muitos municípios brasileiros não tem nenhum médico, como não tem nenhum leito hospitalar, como não tem nenhum farmacêutico, como não tem nenhuma enfermeira, como não tem nenhum odontólogo ou qualquer outro profissional de saúde de nível superior. E por que falta? Porque nos últimos 20 anos nenhuma política de Recursos Humanos foi implementada, quer pelos governos federal, estadual ou municipais, para disponibilizar os profissionais de saúde à população conforme suas necessidades. O que fora desenvolvido transformou a categoria médica na categoria de maior índice de precarização das relações e condições de trabalho. Um modelo que tem agredido a dignidade dos médicos e demais profissionais de saúde bem como dos usuários do SUS. Nesse mesmo período os médicos tem apresentado inúmeras propostas de interiorização desses profissionais e esses mesmos governos tem feito ouvido de mercador para as mesmas. Agora vemos uma proposta de trazer profissionais médicos (não importa a nacionalidade) para atender os brasileiros das camadas mais pobres sem que os referidos profissionais passem por uma avaliação de qualidade de formação e capacidade de comunicação com os brasileiros condição exigida para qualquer profissional estrangeiro em qualquer país. Afirma o Ministro da Saúde e da Educação que são profissionais para atender apenas nas comunidades de dificil acesso ( leia-se: os mais pobres), que para atender no resto do país os profissionais deverão sofrer essa avaliação, mais do que justa. Os médicos brasileiros não concordam com a diferenciação da atenção a saúde de nenhum brasileiro. Não aceitamos a divisão de castas em nosso povo, principalmente patrocinada pelos governos federal, estaduais e municipais. A FNP ( Frente Nacional de Prefeitos) tem sido a entidade que mais tem ido até a presidenta reivindicar essa atitude. Não aceitamos que os brasileiros mais pobres sejam tratados por profissionais de qualidade duvidosa (pois não foram devidamente avaliados) enquanto os demais tenham acesso aos profissionais cuja qualidade terá avaliação regular. É bom que se diga que, nesses últimos meses as entidades médicas vem negociando com ela alternativas a essa proposta e, sem avisar, ela rasga a mesa de negociação e anuncia como se tudo estivesse acertado. Os médicos brasileiros irão às ruas se necessário for para defendera atendimento de qualidade a todos, indistintamente. Colocamo-nos à disposição dos amigos para qualquer informação complementar. Não somos contra a vinda de nenhum profissional formado no exterior desde que se submetam às regras de avaliação de qualidade e comunicação já existentes no país sob a condução do MEC.

Read Full Post »

logo-fenamAs entidades médicas nacionais divulgaram neste sábado (22) nota de repúdio ao anúncio de importação de médicos estrangeiros feito pela presidente Dilma Rousseff, durante pronunciamento em cadeia nacional no dia 21. “O caminho trilhado é de alto risco e simboliza uma vergonha nacional. Ele expõe a população, sobretudo a parcela mais vulnerável e carente, à ação de pessoas cujos conhecimentos e competências não foram devidamente comprovados. Além disso, tem valor inócuo, paliativo, populista e esconde os reais problemas que afetam o Sistema Único de Saúde (SUS)”, ressalta o texto.

logoCFMNo documento, as entidades cobram o aumento dos investimentos na área da saúde e a qualificação do setor no país. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que Governos de países com economias mais frágeis investem mais que o Brasil na assistência. Na Argentina, o percentual de aplicação fica em 66%. No Brasil, esbarra em 47%. Além disso, há denúncias de que o recurso orçado não é devidamente aplicado.

logomarca amb“O apelo desesperado das ruas é por mais investimentos do Estado em saúde. É assim o Brasil terá a saúde e os “hospitais padrão Fifa”, exigidos pela população, e não com a importação de médicos”,afirmam as entidades. De forma conjunta, a Associação Médica Brasileira (AMB), a Associação Nacional dos Médicos Resisdentes (ANMR), o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) prometem usar todos os mecanismos possíveis para barrar a decisão, inclusive na Justiça.

 

megafoneCarta aberta aos médicos e à população brasileira

A SAÚDE PÚBLICA E A VERGONHA NACIONAL

Há alguns anos, a presidente Dilma Rousseff foi vítima de grave problema de saúde. O tratamento aconteceu em centros de excelência do país e sob a supervisão de homens e mulheres capacitados em escolas médicas brasileiras. O povo quer acesso ao mesmo e não quer ser tratado como cidadão de segunda categoria, tratado por médicos com formação duvidosa e em instalações precárias.

Por isso, a Associação Médica Brasileira (AMB), a Associação Nacional dos Médicos Resisdentes (ANMR), o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Federação Nacional dos Médicos (FENAM) manifestam publicamente seu repúdio e extrema preocupação com o anúncio de “trazer de imediato milhares de médicos do exterior”, feito nesta sexta-feira (21), durante pronunciamento em cadeia de rádio e TV.

O caminho trilhado é de alto risco e simboliza uma vergonha nacional. Ele expõe a população, sobretudo a parcela mais vulnerável e carente, à ação de pessoas cujos conhecimentos e competências não foram devidamente comprovados. Além disso, tem valor inócuo, paliativo, populista e esconde os reais problemas que afetam o Sistema Único de Saúde (SUS).

Será que os “médicos importados”- sem qualquer critério de avaliação ou com diplomas validados com regras duvidosas – compensarão a falta de leitos, de medicamentos, as ambulâncias paradas por falta de combustível, as infiltrações nas paredes e as goteiras nos hospitais? Onde estão as medidas para dotar os serviços de infraestrutura e de recursos humanos valorizados? Qual o destino dos R$ 17 bilhões do orçamento do Governo Federal para a saúde que não foram aplicados como deveriam, em 2012? Porque vetaram artigos da Emenda Constitucional 29, que se tivesse colocada em prática teria permitido uma revolução na saúde?

Os protestos não pedem “médicos estrangeiros”, mas um SUS público, integral, gratuito, de qualidade e acessível a todos. É preciso reconhecer que é a falta de investimentos e a gestão incompetente desse sistema que afastam os médicos brasileiros do interior e da rede pública, agravando o caos na assistência.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), os Governos de países com economias mais frágeis investem mais que o Brasil no setor. Na Argentina, o percentual de aplicação fica em 66%. No Brasil, esbarra em 47%. O apelo desesperado das ruas é por mais investimentos do Estado em saúde. É assim que o Brasil terá a saúde e os “hospitais padrão Fifa”, exigidos pela população, e não com a “importação de médicos”.

A AMB, o CFM e a FENAM -assim como outras entidades e instituições, os 400 mil médicos brasileiros e a população conscientes da fragilidade da proposta de “importação” – não admitirão que se coloque em risco o futuro de um modelo enraizado na nossa Constituição e a vida de nossos cidadãos. Para tanto, tomarão tomas as medidas possíveis, inclusive jurídicas, para assegurar o Estado Democrático de Direito no país, com base na dignidade humana.

ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA (AMB)
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS RESIDENTES (ANMR)
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM)
FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS (FENAM)

Fonte : FENAM, CFM e AMB

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