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CFM defende maior controle da prescrição de emagrecedores

O Conselho Federal de Medicina (CFM) defende que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atue mais fortemente no controle da venda de inibidores de apetite, e que desista de retirar o medicamento do mercado. A Agência promoveu nesta quarta-feira (23), em Brasília, audiência pública para discutir a proposta de proibir a venda dos moderadores de apetite que atuam no sistema nervoso central, usados para tratar a obesidade.

De acordo com o 1º secretário do CFM, Desiré Carlos Callegari, a proposta fere a autonomia dos médicos, por deixá-los sem alternativa de tratamento para o paciente. Para ele, a Anvisa tem mecanismos para monitorar o excesso de prescrições do medicamento e pode ter os Conselhos de Medicina como aliados. “Os Conselhos podem apurar se o médico está receitando de maneira ética e científica”, diz Callegari.

Dr. Desiré Carlos Callegari e Dr. Carlos Vital durante audiência pública na Anvisa

O vice-presidente do CFM, Carlos Vital, enalteceu que o interesse coletivo não determina o desrespeito aos direitos e garantias individuais. “A autonomia do médico tem matriz valorativa e jurídica na Constituição, em atenção às necessidades de assistência a saúde coerente com a máxima de que cada caso clínico encerra em si peculiaridades ou especificidades de tratamento”, avalia Vital.

Para Vital, cabe à Anvisa o desenvolvimento do adequado controle da distribuição e utilização desses medicamentos, “sem prejuízos aos interesses coletivos e individuais”. Segundo os médicos, existem diretrizes para a prescrição das sustâncias que foram elaborados pelo CFM e a Associação Médica Brasileira (AMB) e distribuídas em conjunto com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os médicos brasileiros, representantes das melhores expressões científicas na área de endocrinologia e metabologia, afirmam ser fundamental em situações precisas e bem caracterizadas dispor do arsenal terapêutico dessas medicações para o tratamento da obesidade.

Existem também critérios tanto para o tratamento como para sua eficácia. A primeira abordagem é a dieta seguida com exercícios físicos. Se não houver resultado, o uso do medicamento pode ser uma alternativa. “O não tratamento muitas vezes oferece mais riscos que os efeitos secundários da droga, pois obesidade pode acarretar doença de difícil controle”, alerta Callegari. A entidade também alerta que a proibição pode agravar dois problemas: o aumento da obesidade e o comércio paralelo da medicação.

Fonte: CFM

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Substituto não causa sensação de bem-estar e saciedade como o açúcar, levando a um consumo exagerado

Para especialistas, é melhor comer uma porção pequena de doce do que tentar enganar a fome com adoçantes

JULIANA VINES
DE SÃO PAULO

Doces ou bebidas com adoçante não dão a mesma sensação de prazer dos produtos feitos com açúcar.
“Não conseguimos enganar nosso cérebro”, diz o nutrólogo Carlos Alberto Werutsky, da Sociedade Brasileira de Nutrologia.
Em estudo publicado na revista “NeuroImage”, pesquisadores holandeses avaliaram a resposta do cérebro de dez pessoas antes e depois de tomar suco de laranja com açúcar ou adoçante.
O resultado é que tanto a sensação de prazer quanto a vontade de comer doce foram diferentes nos dois casos. “Só a glicose causa liberação de neurotransmissores que dão a sensação de bem-estar, como a serotonina”, afirma Cristiane Ruiz Durante, nutricionista do projeto de atendimento ao obeso do Hospital das Clínicas de SP.
Apesar de o poder adoçante dos produtos artificiais ser maior do que o do açúcar, a mensagem de que estamos ingerindo algo doce não chega até o cérebro.
Segundo Werutsky, as papilas gustativas são sensíveis às fórmulas. Mas muitas delas não são metabolizadas pelo organismo: são eliminadas sem serem digeridas.
A exceção é a frutose, derivada de frutas ou mel. Quando metabolizado, o adoçante transforma-se em glicose.

MAIS PARA O MESMO
Sem o prazer proporcionado pela glicose, quem come produtos diet pode acabar exagerando na quantidade.
Para Paulo Cunha, especialista em neuropsicologia do Instituto de Psiquiatria do HC, dá para comparar os adoçantes aos cigarros light.
“A pessoa não sente o mesmo prazer e fuma o dobro. É o mesmo caso com os adoçantes. Não é tão prazeroso, então a ingestão pode ser maior para compensar.”
Para a nutricionista Cristiane Ruiz Durante, pessoas sem restrição ao açúcar não devem substituir doces por alimentos com adoçantes.
“Prefiro indicar que a pessoa coma uma porção pequena de doce ou carboidrato. É melhor do que comer mais produtos diet para tentar buscar a mesma sensação.”
O nutrólogo Werutsky afirma que o principal vilão da dieta é a gordura, e não o açúcar. “O açúcar tem quatro calorias por grama, e a gordura tem nove. Evitar só o açúcar não resolve.”

Consumo deve ser restrito para hipertensos e grávidas DE SÃO PAULO

A internet é terreno fértil para a disseminação de mitos sobre adoçantes. Para o endocrinologista Henrique Suplicy, professor da Universidade Federal do Paraná, a maioria das informações que estão na rede são falsas.
“Há pesquisas que relacionaram o ciclamato com câncer em ratos. Outra disse que os adoçantes engordariam. Não existem provas.”
Ao menos em dois casos, alguns adoçantes são contraindicados. Segundo Ruy Lyra da Silva Filho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, pessoas com fenilcetonúria -distúrbio hereditário de deficiência da enzima que metaboliza o aminoácido fenilalanina- não devem ingerir nada que tenha aspartame.
Outra contraindicação é do ciclamato e da sacarina para hipertensos. “Ambos contêm sódio. As quantidades não são significativas, mas podem fazer a diferença quando somamos a outros alimentos com sódio”, diz.
O consumo por grávidas é controverso. “Na dúvida, indico que evitem os adoçantes. A exceção são grávidas com diabetes.”

Fonte: Folha de São Paulo – Edição de 13 de setembro de 2010

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