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Posts Tagged ‘Edson Andrade’

Principais líderes destacaram a união das entidades médicas como principal conquista dos últimos anos. Próximo foco deverá ser o SUS e o desafio da evolução tecnológica voltada para o ser humano

O eixo central dos discursos na solenidade que marcou a posse dos novos conselheiros federais do Conselho Federal de Medicina (CFM) foi a união das entidades médicas e o compromisso com a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). O evento aconteceu na noite desta quinta-feira (1° de outubro), no Memorial JK, em Brasília (DF), e reuniu médicos, parlamentares, autoridades, lideranças médicas e conselheiros novos e antigos.

O ex-presidente do CFM, Edson de Oliveira Andrade, remeteu-se, em seu discurso de despedida, à importância das pessoas em sua trajetória no comando do CFM. Citou nomes como o do deputado federal pelo DEM-SP e ex-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Eleuses Vieira de Paiva, e o do líder do movimento sindical Eduardo Santana, ex-presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam).

Andrade mencionou que, em 1994, quando assumiu o CFM, não estiveram presentes na solenidade de posse entidades como a Academia Nacional de Medicina, a Federação Nacional dos Médicos e a Associação Médica Brasileira. “Hoje eu olho essa mesa e ela tem todas essas instituições e os nossos amigos de além-mar [Ordem dos Médicos de Cabo Verde]. Então, se nós estamos aqui com essa representatividade, com essa unidade médica – e ninguém perdeu a sua identidade – é porque se conscientizaram todos que os interesses da medicina, dos médicos e dos pacientes são mais importantes que os nossos interesses individuais. Não existe mais no movimento médico a possibilidade de retorno a uma situação de desagregação, de disputa, de dissociação de lutas. Isso veio para ficar”, disse, dirigindo-se ao público e à mesa de autoridades, composta pelas entidades mencionadas e pelo presidente da Ordem dos Médicos de Cabo Verde, Júlio Barros Andrade, representando a Comunidade Médica de Língua Portuguesa.

O presidente da Fenam, Paulo de Argollo Mendes, falou da importância do papel dos líderes para agregar sonhos. Nesse sentido, lembrou a atuação do oftalmologista Marco Antônio Becker, que representava o Rio Grande do Sul no corpo de conselheiros do CFM. Becker morreu no dia 4 de dezembro de 2008, em Porto Alegre (RS), deixando um legado de grande liderança médica do Rio Grande do Sul e do Brasil. Para ele, Edson também demonstra essa capacidade: “todos nós acompanhamos o trabalho, o esforço e dedicação, o espírito de empreendimento, o destemor, mas, mais do que tudo, essa capacidade de agregar. Nós, da Fenam, nos reaproximamos durante o mandato do Edson porque ele teve a grandeza de chamar a todos para sonhar com ele. Tenho certeza de que essa obra que foi conduzida até agora continuará dando frutos porque estará em mãos competentes”, salientou Argollo.

Os principais desafios e ameaças que a medicina enfrenta foram comentados pelo presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), José Luiz Gomes do Amaral. “Nunca a medicina se viu tão ameaçada em todos os seus princípios e toda a sua estrutura. Temos a medicina degradada por escolas criadas sem critérios, por diplomas desvalorizados que hoje se pretende atribuir a quem quer que seja [incluindo propostas de revalidação descriteriosas], a especialização brasileira ameaçada por descaracterização, a profissão ameaçada em função da resistência à sua regulamentação, o sistema público desprovido de médicos em função da absoluta falta de plano de cargos e salários, e um sistema suplementar que tem muito a ser regulado. Hoje nós temos muito o que fazer. Se temos tantas dificuldades à frente, não nos falta ânimo para enfrentá-las”.

Em nome da Academia Nacional de Medicina, instituição com mais de 180 anos de história, o seu presidente, Pietro Novellino, cumprimentou o ex-presidente do CFM, Edson de Oliveira Andrade, o presidente recém-empossado, Roberto d’Avila, e a nova diretoria. Ele salientou a importância da união entre as entidades: “faz parte dos nossos planos de metas fazer, cada vez mais, um entrosamento com as entidades de classe e, sem dúvida, eu aqui representando a Academia Nacional de Medicina, espero que possamos colaborar para a qualidade do ensino médico e a defesa da classe”, frisou Novellino.

Evolução tecnológica e o futuro da medicina

Em seu discurso como presidente recém-empossado do CFM, Roberto Luiz d’Avila falou sobre os principais desafios ligados à evolução tecnológica, que deu grandes saltos nos últimos anos. Segundo ele, a busca da imortalidade, a fonte da juventude e a panacéia têm sido buscas constantes ao longo da história da humanidade. “Essa é uma nova revolução. Segundo alguns autores, a quarta revolução tecnológica. Isso claramente tem repercussões políticas e repercussões dentro da ética e da bioética. Não há nenhuma vantagem em se obter todo esse desenvolvimento se isso não se basear em princípios éticos e não buscar a dignidade humana, o direito às liberdades fundamentais e aos direitos humanos”, salientou d’Avila.

O novo presidente do CFM ressaltou ainda o contraste entre a evolução tecnológica e a pobreza ainda encontrada no mundo. Ele mencionou que na área da saúde também há problemas sérios e que a reflexão sobre essa conjuntura obriga as entidades médicas a trabalharem na direção de superá-los. “É nosso dever participar ativamente dos debates e das lutas em prol do pleno desenvolvimento humano, a ele subordinando os avanços científicos e tecnológicos e as políticas públicas. Devemos trabalhar um pouco mais em defesa do Sistema Único de Saúde preocupados basicamente com as condições gerais de vida da nossa população”.

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