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Archive for the ‘Eleições 2010’ Category


“Quem são os que tanto odeiam Lula e por que o odeiam tanto? Numa análise superficial não se consegue encontrar razões lógicas para tanto ódio. Afinal, seu governo está longe de estar sendo uma ameaça grave às elites. Ele conseguiu, nesses seus três anos e meio de mandato, distribuir renda sem tirar absolutamente nada da classe dominante ou, no mínimo, não tirar nada dela que lhe tenha feito sequer cócegas nos privilégios.

O empresariado, sobretudo o grande empresariado, está ganhando como nunca. Os bancos não têm do que se queixar. O capital transnacional muito menos. E a mídia perdeu muito mais sob FHC do que sob Lula. Os meios de comunicação se endividaram como nunca acreditando no populismo cambial fernandino e chegaram à difícil situação em que se encontram por terem contraído dívidas enormes em dólar e depois as viram explodir com a maxidesvalorização de 1999. Então por que a mídia – principalmente a mídia – odeia tanto o atual presidente e ama tanto seu antecessor?

Os que odeiam Lula, convenhamos, não estão só entre a classe social e étnica dominante. Os odiadores fanáticos do presidente estão em todas as classes sociais, em todas as etnias, em todas as partes do país, em todas as ideologias e onde mais se puder destacar um segmento da sociedade brasileira. Então não se pode atribuir elitismo aos que o odeiam como poucos políticos já foram odiados.

Claro que há o medo das elites de que Lula venha a levar o Brasil mais para a esquerda por conta de suas boas relações com líderes como Fidel Castro e Hugo Chávez, mas esse é um motivo secundário . As políticas públicas voltadas para lumpezinato, como por exemplo as cotas nas universidades, também podem despertar o egoísmo hidrófobo da elite e mais ódio ao presidente, mas são políticas que o maior país capitalista da Terra também adotou, portanto não explicam o que aqui se discute.

Para entendermos o ódio a Lula, primeiro é preciso reconhecer que foi ele quem o construiu. Todos os que, em todos os segmentos da sociedade, jamais puderam admitir que alguém que consideravam ou abaixo deles ou igual a eles pudesse chegar onde chegou, sentem-se esbofeteados por sua ascensão. O ódio ao presidente transcende a razão e se esconde sob desculpas como “ética” – como se um FHC, de quem os odiadores de Lula gostam tanto, fosse algum exemplo de político ético – ou de ser “ignorante” e “despreparado”. Mas a verdade é que os odiadores de Lula não conseguem aceitar ser governados por alguém que até hoje não consegue falar bom português e que veio do degrau mais baixo da pirâmide social brasileira.

Quando Lula morrer, quando as gerações futuras estudarem um dos maiores líderes políticos da história deste país, quando ele puder ser olhado pela lente da verdade, sem paixões, sem ódios ou rancores, descobrirão que sua ascensão na vida arrombou uma porta que tanto os mais pobres quanto os mais ricos sempre mantiveram trancada no Brasil. Por isso Lula é tão odiado e tão amado.”

Escrito por Eduardo Guimarães às 23h04 – 02/09/2006

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A LINGUAGEM DO PRECONCEITO

Virou moda dizer que “Lula não entende das coisas”. Ou “confundiu isso com
aquilo”. É a linguagem do preconceito, adotada até mesmo por jornalistas
ilustres e escritores consagrados

Por: Bernardo Kucinski

O sociólogo José Pastore diz que Lula confunde “choque de gestão” com contratação. É que para os conservadores “choque de gestão” é sinônimo de demissão (Foto: Elza Fiúza/ABr)

Um dia encontrei Lula, ainda no Instituto Cidadania, em São Paulo, empolgado com um livro de Câmara Cascudo sobre os hábitos alimentares dos nordestinos.
Lula saboreava cada prato mencionado, cada fruta, cada ingrediente.
Lembrei-me desse episódio ao ler a coluna recente do João Ubaldo Ribeiro,
“De caju em caju”, em que ele goza o presidente por falar do caju, “sem
conhecer bem o caju”. Dias antes, Lula havia feito um elogio apaixonado ao
caju, no lançamento do Projeto Caju, que procura valorizar o uso da fruta na
dieta do brasileiro.

“É uma pena que o presidente Lula não seja nordestino, portanto não conheça bem a farta presença sociocultural do caju naquela remota região do
país…”, escreveu João Ubaldo. Alegou que Lula não era nordestino porque
tinha vindo ainda pequeno para São Paulo. E em seguida esparramou citações sobre o caju, para mostrar sua própria erudição. Estou falando de João Ubaldo porque, além de escritor notável, ele já foi um grande jornalista.

Outro jornalista ilustre, o querido Mino Carta, escreveu que Lula “confunde”
parlamentarismo com presidencialismo. “Seria bom”, disse Mino, “que alguém se dispusesse a explicar ao nosso presidente que no parlamentarismo o partido vencedor das eleições assume a chefia do governo por meio de seu
líder…” Essa do Mino me fez lembrar outra ocasião, no Instituto Cidadania,
em que Lula defendeu o parlamentarismo.

Parlamentarista convicto, Lula diz que partidos são os instrumentos
principais de ação política numa democracia. Pelo mesmo motivo Lula é a
favor da lista partidária única e da tese de que o mandato pertence ao
partido. Em outubro de 2001, o Instituto Cidadania iniciou uma série de
seminários para o Projeto Reforma Política, aos quais Lula fazia questão de
assistir do começo ao fim. Desses seminários resultou um livro de 18
ensaios, Reforma Política e Cidadania, organizado por Maria Victória
Benevides e Fábio Kerche, prefaciado por Lula e editado pela Fundação Perseu Abramo.

Clichês e malandragem

Se pessoas com a formação de um Mino Carta ou João Ubaldo sucumbiram à
linguagem do preconceito, temos mais é que perdoar as dezenas de jornalistas de menos prestígio que também dizem o tempo todo que “Lula não sabe nada disso, nada daquilo”. Acabou virando o que em teoria do jornalismo chamamos de “clichê”. É muito mais fácil escrever usando um clichê porque ele sintetiza idéias com as quais o leitor já está familiarizado, de tanto que foi repetido. O clichê estabelece de imediato uma identidade entre o que o jornalista quer dizer e o desejo do leitor de compreender. Por isso, o clichê do preconceito “Lula não entende” realimenta o próprio preconceito.

Alguns jornalistas sabem que Lula não é nem um pouco ignorante, mas propagam essa tese por malandragem política. Nesse caso, pode-se dizer que é uma postura contrária à ética jornalística, mas não que seja preconceituosa.
Aproveitam qualquer exclamação ou uso de linguagem figurada de Lula para
dizer que ele é ignorante. “Por que Lula não se informa antes de falar?”,
escreveu Ricardo Noblat em seu blog, quando Lula disse que o caso da menina presa junto com homens no Pará “parecia coisa de ficção”. Quando Lula disse, até com originalidade, que ainda faltava à política externa brasileira achar “o ponto G”, William Waack escreveu: “Ficou claro que o presidente brasileiro não sabe o que é o ponto G”.

Outra expressão preconceituosa que pegou é “Lula confunde”. A tal ponto que jornalistas passam a usar essa expressão para fazer seus próprios jogos de palavras. “Lula confunde agitação com trabalho”, escreveu Lucia Hippolito.
Empregam o “confunde” para desqualificar uma posição programática do
presidente com a qual não concordam. “O presidente confunde choque de gestão com aumento de contratações”, diz o consultor José Pastore, fonte habitual da imprensa conservadora.

Confunde coisa alguma. Os neoliberais querem reduzir o tamanho do Estado, o presidente quer aumentar. Quer contratar mais médicos, professores, biólogos para o Ibama. É uma divergência programática. Carlos Alberto Sardenberg diz que Lula “confundiu” a Vale com uma estatal. “Trata-a como se fosse a Petrobras, empresa que segundo o presidente não pode pensar só em lucro, mas em, digamos, ajudar o Brasil.” Esse caso é curioso porque no parágrafo seguinte o próprio Sardenberg pode ser acusado de confundir as coisas, ao reclamar de a Petrobras contratar a construção de petroleiros no país,  apesar de custar mais. Aqui, também, Lula não fez confusão: o presidente acha que tanto a Vale quanto a Petrobras têm de atender interesses nacionais; Sardenberg acha que ambas devem pensar primeiro na remuneração dos acionistas.

Filosofia da ignorância
A linguagem do preconceito contra Lula sofisticou-se a tal ponto que
adquiriu novas dimensões, entre elas a de que Lula teria até problemas de
aprendizagem ou de compreensão da realidade. Ora, justamente por ter tido
pouca educação formal, Lula só chegou aonde chegou por captar rapidamente
novos conhecimentos, além de ter memória de elefante e intuição. Mas, na
linguagem do preconceito, “Lula já não consegue mais encadear frases com
alguma conseqüência lógica”, como escreveu Paulo Ghiraldelli, apresentado
como filósofo na página de comentários importantes do Estadão. Ou, como
escreveu Rolf Kunz, jornalista especializado em economia e também professor de filosofia: “Lula não se conforma com o fato de, mesmo sendo presidente, não entender o que ocorre à sua volta”.

Como nasceu a linguagem do preconceito? As investidas vêm de longe. Mas o
predomínio dessa linguagem na crônica política só se deu depois de Lula ter
sido eleito presidente, e a partir de falas de políticos do PSDB e dos que
hoje se autodenominam Democratas. “O presidente Lula não sabe o que é pacto federativo”, disse Serra, no ano passado. E continuam a falar: “O presidente Lula não sabe distinguir a ordem das prioridades”, escreveu Gilberto de Mello. “O presidente Lula em cinco anos não aprendeu lições básicas de gestão”, escreveu Everardo Maciel na Gazeta Mercantil.

A tese de que Lula “confunde” presidencialismo com parlamentarismo foi
enunciada primeiro por Rodrigo Maia, logo depois por César Maia, e só então
repetida pelos jornalistas. Um deles, Daniel Piza, dias depois dessas falas,
escreveu que “só mesmo Lula, que não sabe a diferença entre presidencialismo e parlamentarismo, pode achar que um governante ter a aprovação da maioria é o mesmo que ser uma democracia no seu sentido exato”.

Preconceito é juízo de valor que se faz sem conhecer os fatos. Em geral é
fruto de uma generalização ou de um senso comum rebaixado. O preconceito
contra Lula tem pelo menos duas raízes: a visão de classe, de que todo
operário é ignorante, e a supervalorização do saber erudito, em detrimento
de outras formas de saber, tais como o saber popular ou o que advém da
experiência ou do exercício da liderança. Também não se aceita a
possibilidade de as pessoas transitarem por formas diferentes de saber.

A isso tudo se soma o outro preconceito, o de que Lula não trabalha. Todo
jornalista que cobre o Palácio do Planalto sabe que é mentira, que Lula
trabalha de 12 a 14 horas por dia, mas ele é descrito com freqüência por
jornalistas como uma pessoa indolente.

Não atino com o sentido dessa mentira, exceto se o objetivo é difamar uma
liderança operária, o que é, convenhamos, uma explicação pobre. Talvez as
elites, e com elas os jornalistas, não consigam aceitar que o presidente, ao
estudar um problema com seus ministros, esteja trabalhando, já que ele é ”
incapaz de entender” o tal problema. Ou achem que, ao representar o Estado
ou o país, esteja apenas passeando. Afinal, onde já se viu um operário, além
do mais ignorante, representar um país?

Fontes: João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo, 2/9/2007. Blog do Mino
Carta, 16/11/2007. Blog do William Waack, 2/12/2007. Texto de Lúcia Hipólito no UOL, 24/07/2007. José Pastore, artigo no Estadão, 11/12/2007. Carlos Alberto Sardenberg, “De bronca com o capital”, Estadão, 10/12/2007. Filósofo Paulo Ghiraldelli, Estadão, 29/8/2007. Rolf Kunz, “Lula, o viajante do palanque”, Estadão, 29/11/2007. José Serra, em Folha On Line, 1º/8/2006, em reportagem de Raimundo de Oliveira. Gilberto de Mello, escritor e membro do Instituto Brasileiro de Filosofia, no Estadão de 2/8/2007, reproduzido no site do PSDB. Everardo Maciel, na Gazeta Mercantil de 4/10/2007. Rodrigo Maia, em declaração à Rádio do Moreno, 6/11/2007, 17h20. César Maia em seu blog, 12/11/2007. E Daniel Pizza em texto do Estadão de 2/12/2007.

Bernardo Kucinski é professor titular do Departamento de Jornalismo e
Editoração da ECA/USP. Foi produtor e locutor no serviço brasileiro da BBC
de Londres e assistente de direção na televisão BBC. É autor de vários
livros sobre jornalismo

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Lendo o Blog do Luiz Nassif, deparei-me com esse texto que, achei muito interessante. Após consulta ao jornalista e sua autorização, disponibilizo-o para conhecimento dos amigos.

Boa leitura!

Leituras das pesquisas Datafolha

Por Alexandre Leite

Nassif,                                                                             

Um dado muito interessante dessa pesquisa Datafolha se refere ao cruzamento das pesquisas espontâneas e estimuladas à Escolaridade; virou lugar comum no Brasil associar o eleitor de Lula ao analfabetismo, à ignorância, à despolitização; Afinal de contas quem poderia eleger um ‘apedeuta’? Mas pelo menos a pesquisa preferida do senador Arthur Virgílio, desmente:

Espontânea

Candidato = Nível Superior | Fundamental

Dilma = 17 | 10

Serra = 13 | 6

Marina = 4 | 0

Lula = 3 | 10

Ciro = 3 | 1

Candidato do PT = 1 | 1

Candidato de Lula = 1 | 4

Aécio = 1 | 1

Resumindo, os eleitores de nível superior dão ao conglomerado petista, 22% das intenções de voto;

ao conglomerado serrista, 14%. Marina e Ciro, somados 7%.

Estimulada

Candidato = Nível Superior | Fundamental

Dilma = 33 | 26

Serra = 31 | 37

Marina = 14 | 7

Ciro = 9 | 10

Sem Ciro, temos

Dilma = 35 | 28

Serra = 33 | 41

Marina = 16 | 9

Repare o salto que se dá nos votos em Serra entre os de nível fundamental. Vai de 6% na espontânea para 37% ou 41% na estimulada.

Ou seja, Serra lidera no Datafolha em cima justamente sobre o que cientista político José Roberto de Toledo, no programa ‘Entre Aspas’, chamou de “parcela do eleitor ainda pouco informada/interessada e ligada a Lula até a medula”.

Se isso não é algo muito significativo, passo.

http://datafolha.folha.uol.com.br/folha/datafolha/tabs/int_voto_pres_29032010_tb1.pdf

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/04/03/leituras-das-pesquisas-datafolha/#more-54229

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